<% pagina = "http://" & request.ServerVariables("HTTP_HOST") & request.ServerVariables("URL") %> Comunicação & Estratégia - Comunicações
Volume 3
Número 5

20 de dezembro de 2006
 
 * Edição atual    

          A Comunicação Interna estratégica

Andréia Martelozzo Constantino*

           Um dos conceitos mais interessantes e completos para comunicação interna é o de Rhodia (apud KUNSCH, 2003, p. 154), que a define como "uma ferramenta estratégica para compatibilização dos interesses dos empregados e da empresa, através do estímulo ao diálogo, à troca de informações e de experiências e à participação de todos os níveis". Ou seja, as empresas devem encarar a comunicação interna como um meio de crescimento e desenvolvimento. Não devem ter medo de ouvir o que o funcionário pensa a seu respeito, mas utilizar as manifestações internas para aprimorar o seu nível de relacionamento.

           Dessa forma, para uma comunicação interna eficiente é necessário a participação de todos, desde a cúpula diretiva até os funcionários operacionais, ou seja, a qualidade da comunicação só será alcançada se a direção estiver disposta a desenvolver a comunicação, informando e comunicando-se de forma rápida, tranparente e competente.

           Segundo Marchiori (2006), um ambiente interno produtivo compreende não apenas a qualidade dos produtos, serviços e tecnologia, mas também a qualidade dos relacionamentos que a organização desenvolve para com seus públicos. A comunicação interna visa criar um ambiente no qual informação, conhecimento e competência sejam valorizados, estimulando o comprometimento, confiança, orgulho e o auto-desenvolvimento.

           O primeiro passo é criar um clima sinérgico entre organização, políticas e funcionários, por meio de canais e linguagem adequados às características dos diversos públicos internos. Isso porque dentro de uma mesma organização existe uma infinidade de diferentes grupos, com necessidades particulares e que devem interagir de forma específica, exigindo da empresa uma postura crítica e aberta à comunicação permitindo a troca de informações entre todos os níveis.

           Segundo Kunsch (2003), a comunicação interna deve promover a liberdade e a abertura comunicacional, além de proporcionar um ambiente de trabalho que possibilite a integração entre funcionários e setores, justamente porque o funcionário é um dos porta-vozes da organização e influi diretamente na imagem e conceito da empresa.

           Dessa maneira, podemos dizer, conforme Torquato (2002), que a missão básica da comunicação interna é criar e manter um clima favorável a realização das metas estratégicas da instituição, ao crescimento de suas atividades, serviços e linhas de produtos. Para cumprir essa missão é necessário primeiramente estimular o público interno por meio de mecanismos e ferramentas de informação, persuasão e envolvimento.

           Com esse estímulo fica mais fácil estabelecer um clima propício às mudanças, ou seja, a organização torna-se mais suscetível às transformações que visam crescimento. Para isso é preciso dirigir as atividades conciliando os interesses da empresa e do público interno, disponibilizando informações e, ao mesmo tempo, ouvindo e promovendo a participação. O funcionário precisa sentir-se valorizado para comprometer-se com seu trabalho.

           Para Torquato (2002) cabe à comunicação interna estimular o potencial humano para fundamentar uma cultura pró-ativa voltada ao foco no negócio, bem como firmar uma filosofia inovadora e aberta às mudanças. Para tanto é preciso integrar os setores promovendo o trabalho cooperativo. Para isso não se pode negligenciar os fluxos e as redes de comunicação, ao contrário deve-se analisá-las e estimulá-las.

           Andrade (1977) ressalta que geralmente o público interno busca colaborar com a empresa, mas muitas vezes faltam incentivos de participação, dessa forma os empregados não se envolvem e não reconhecem sua importância para a organização, o que gera desmotivação e descomprometimento, transformando os funcionários em uma poderosa força negativa.

           Dessa forma, fica evidente que a comunicação interna é um processo bastante complexo. Marchiori (2004) ressalta que não há um canal de comunicação que atinja todos os públicos de interesse, sendo necessário segmentar a comunicação, trabalhando com veículos dirigidos e mensagens apropriadas para efetivar o processo e impedir que ele perca a confiabilidade. Bueno (2005) também defende a utilização de diversos canais, pois, por exemplo, um único jornal interno não poderá atender as expectativas de todos os grupos.

           Para atender às demandas diferenciadas existem uma infinidade de canais de comunicação interna, dentre os quais se destacam: jornais e revistas, boletins, folhetos, comunicados, quadro de avisos e murais, reuniões, encontros, conversas individuais, programas de promoção, entre outros. As publicações internas podem trazer mensagens provenientes do próprio corpo funcional, além disso, devem apresentar assuntos variados e interessantes para atrair a atenção do leitor. É essencial que os veículos estejam adequados às expectativas dos diferentes grupos.

           Porém, para selecionar os canais e as linguagens mais adequados, de acordo com Marchiori (2004) é fundamental estudar o público por meio de pesquisas e auditorias que levantarão a cultura da organização e os pontos fortes e fracos, proporcionando um amplo conhecimento do negócio a fim de embasar o planejamento estratégico e a execução da comunicação. Daí a importância da comunicação interna e do envolvimento dos públicos, caso contrário os objetivos, a missão, a visão e os valores da empresa, nunca sairão do papel.

           Não é mais aceitável trabalharmos a estratégia de negócios deixando a de pessoas a segundo plano, pois quanto maior for o envolvimento do público interno, maior será seu comprometimento e melhor será seu desempenho produtivo. Por isso é preciso voltar-se para a construção de relacionamentos sólidos, tendo a comunicação como principal ferramenta, já que é por meio dela que se promove a troca de informações a fim de estimular uma mudança de comportamento.

           O mercado torna-se mais competitivo a cada dia e exige muito mais dos funcionários, que cada vez mais são cobrados e possuem maior responsabilidade sobre o sucesso das organizações. Sendo assim o bom relacionamento com o público interno, pode significar uma grande vantagem competitiva aos negócios. É fato que, as empresas que proporcionam melhor ambiente de trabalho são também as que atingem um maior resultado financeiro.

           Porém, não basta atingir bons resultados, o maior desafio é manter a harmonia entre os interesses dos acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e demais públicos, para que a motivação não se perca. Para isso, os lucros devem ser conseqüência do trabalho e não o objetivo principal.

           Referências

ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Curso de relações públicas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1977.

BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial no Brasil: uma leitura crítica. São Paulo: All Print Editora, 2005. (Coleção contexto de comunicação)

KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 17 ed. São Paulo: Summus, 2003.

MARCHIORI, Marlene. A Comunicação interna criando valor para as organizações. Artigo especialmente enviado para a publicação no site. Disponível em: <http://www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/relacoespublicas/funcoesetecnicas/0130.htm>. Acesso em: 14 de nov. de 2004.

______________. (Org). Faces da cultura e da comunicação organizacional. São Caetano do Sul - SP: Difusão Editora, 2006b.

TORQUATO, Gaudêncio. Tratado de comunicação organizacional e política. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

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Andréia Martelozzo Constantino
Relações Públicas formada pela UEL - Universidade Estadual de Londrina e atua na área de eventos no Expoara - Centro de Eventos em Arapongas.

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