
A
Comunicação Interna estratégica
Andréia Martelozzo Constantino*
Um dos conceitos mais interessantes e completos para comunicação
interna é o de Rhodia (apud KUNSCH, 2003, p. 154), que
a define como "uma ferramenta estratégica para compatibilização
dos interesses dos empregados e da empresa, através do
estímulo ao diálogo, à troca de informações
e de experiências e à participação
de todos os níveis". Ou seja, as empresas devem encarar
a comunicação interna como um meio de crescimento
e desenvolvimento. Não devem ter medo de ouvir o que o
funcionário pensa a seu respeito, mas utilizar as manifestações
internas para aprimorar o seu nível de relacionamento.
Dessa forma, para uma comunicação interna eficiente
é necessário a participação de todos,
desde a cúpula diretiva até os funcionários
operacionais, ou seja, a qualidade da comunicação
só será alcançada se a direção
estiver disposta a desenvolver a comunicação, informando
e comunicando-se de forma rápida, tranparente e competente.
Segundo Marchiori (2006), um ambiente interno produtivo compreende
não apenas a qualidade dos produtos, serviços e
tecnologia, mas também a qualidade dos relacionamentos
que a organização desenvolve para com seus públicos.
A comunicação interna visa criar um ambiente no
qual informação, conhecimento e competência
sejam valorizados, estimulando o comprometimento, confiança,
orgulho e o auto-desenvolvimento.
O primeiro passo é criar um clima sinérgico entre
organização, políticas e funcionários,
por meio de canais e linguagem adequados às características
dos diversos públicos internos. Isso porque dentro de uma
mesma organização existe uma infinidade de diferentes
grupos, com necessidades particulares e que devem interagir de
forma específica, exigindo da empresa uma postura crítica
e aberta à comunicação permitindo a troca
de informações entre todos os níveis.
Segundo Kunsch (2003), a comunicação interna deve
promover a liberdade e a abertura comunicacional, além
de proporcionar um ambiente de trabalho que possibilite a integração
entre funcionários e setores, justamente porque o funcionário
é um dos porta-vozes da organização e influi
diretamente na imagem e conceito da empresa.
Dessa maneira, podemos dizer, conforme Torquato (2002), que a
missão básica da comunicação interna
é criar e manter um clima favorável a realização
das metas estratégicas da instituição, ao
crescimento de suas atividades, serviços e linhas de produtos.
Para cumprir essa missão é necessário primeiramente
estimular o público interno por meio de mecanismos e ferramentas
de informação, persuasão e envolvimento.
Com esse estímulo fica mais fácil estabelecer um
clima propício às mudanças, ou seja, a organização
torna-se mais suscetível às transformações
que visam crescimento. Para isso é preciso dirigir as atividades
conciliando os interesses da empresa e do público interno,
disponibilizando informações e, ao mesmo tempo,
ouvindo e promovendo a participação. O funcionário
precisa sentir-se valorizado para comprometer-se com seu trabalho.
Para Torquato (2002) cabe à comunicação interna
estimular o potencial humano para fundamentar uma cultura pró-ativa
voltada ao foco no negócio, bem como firmar uma filosofia
inovadora e aberta às mudanças. Para tanto é
preciso integrar os setores promovendo o trabalho cooperativo.
Para isso não se pode negligenciar os fluxos e as redes
de comunicação, ao contrário deve-se analisá-las
e estimulá-las.
Andrade (1977) ressalta que geralmente o público interno
busca colaborar com a empresa, mas muitas vezes faltam incentivos
de participação, dessa forma os empregados não
se envolvem e não reconhecem sua importância para
a organização, o que gera desmotivação
e descomprometimento, transformando os funcionários em
uma poderosa força negativa.
Dessa forma, fica evidente que a comunicação interna
é um processo bastante complexo. Marchiori (2004) ressalta
que não há um canal de comunicação
que atinja todos os públicos de interesse, sendo necessário
segmentar a comunicação, trabalhando com veículos
dirigidos e mensagens apropriadas para efetivar o processo e impedir
que ele perca a confiabilidade. Bueno (2005) também defende
a utilização de diversos canais, pois, por exemplo,
um único jornal interno não poderá atender
as expectativas de todos os grupos.
Para atender às demandas diferenciadas existem uma infinidade
de canais de comunicação interna, dentre os quais
se destacam: jornais e revistas, boletins, folhetos, comunicados,
quadro de avisos e murais, reuniões, encontros, conversas
individuais, programas de promoção, entre outros.
As publicações internas podem trazer mensagens provenientes
do próprio corpo funcional, além disso, devem apresentar
assuntos variados e interessantes para atrair a atenção
do leitor. É essencial que os veículos estejam adequados
às expectativas dos diferentes grupos.
Porém, para selecionar os canais e as linguagens mais adequados,
de acordo com Marchiori (2004) é fundamental estudar o
público por meio de pesquisas e auditorias que levantarão
a cultura da organização e os pontos fortes e fracos,
proporcionando um amplo conhecimento do negócio a fim de
embasar o planejamento estratégico e a execução
da comunicação. Daí a importância da
comunicação interna e do envolvimento dos públicos,
caso contrário os objetivos, a missão, a visão
e os valores da empresa, nunca sairão do papel.
Não é mais aceitável trabalharmos a estratégia
de negócios deixando a de pessoas a segundo plano, pois
quanto maior for o envolvimento do público interno, maior
será seu comprometimento e melhor será seu desempenho
produtivo. Por isso é preciso voltar-se para a construção
de relacionamentos sólidos, tendo a comunicação
como principal ferramenta, já que é por meio dela
que se promove a troca de informações a fim de estimular
uma mudança de comportamento.
O mercado torna-se mais competitivo a cada dia e exige muito mais
dos funcionários, que cada vez mais são cobrados
e possuem maior responsabilidade sobre o sucesso das organizações.
Sendo assim o bom relacionamento com o público interno,
pode significar uma grande vantagem competitiva aos negócios.
É fato que, as empresas que proporcionam melhor ambiente
de trabalho são também as que atingem um maior resultado
financeiro.
Porém, não basta atingir bons resultados, o maior
desafio é manter a harmonia entre os interesses dos acionistas,
funcionários, clientes, fornecedores e demais públicos,
para que a motivação não se perca. Para isso,
os lucros devem ser conseqüência do trabalho e não
o objetivo principal.
Referências
ANDRADE, Cândido Teobaldo
de Souza. Curso de relações públicas. 2 ed.
São Paulo: Atlas, 1977.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação
empresarial no Brasil: uma leitura crítica. São
Paulo: All Print Editora, 2005. (Coleção contexto
de comunicação)
KUNSCH, Margarida Maria Krohling.
Planejamento de relações públicas na comunicação
integrada. 17 ed. São Paulo: Summus, 2003.
MARCHIORI, Marlene. A Comunicação
interna criando valor para as organizações. Artigo
especialmente enviado para a publicação no site.
Disponível em: <http://www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/relacoespublicas/funcoesetecnicas/0130.htm>.
Acesso em: 14 de nov. de 2004.
______________. (Org). Faces da
cultura e da comunicação organizacional. São
Caetano do Sul - SP: Difusão Editora, 2006b.
TORQUATO, Gaudêncio.
Tratado de comunicação organizacional e política.
São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
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Andréia Martelozzo
Constantino
Relações Públicas formada pela UEL - Universidade
Estadual de Londrina e atua na área de eventos no Expoara
- Centro de Eventos em Arapongas.
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